sobre gravidezes, partos e insultos
Nunca achei grande piada à coisa dos "grupos" mas há pouco tempo aderi a dois.
Dado um deles, tenho aprendido uma série de coisas e confesso que sinto uma certa empatia com os seus poucos membros. De repente passei a ter na minha caixa de correio uma série de dicas para os meus bricolages e já fiz mais de cem quilómetros para estar num chá de agulhas.
Quanto ao outro grupo, acabei de me retirar. Não sou adepta de fundamentalismos e não tenho paciência para julgamentos supremos. Eu, mãe babada de três rebentos, nunca achei grande piada à gravidez. Vá, venham de lá as vozes e acusem-me: "ai ai... A gaja que escreve naquela revista não gostou de estar grávida..." Pois não. E se há coisa que me faz repensar acerca de ter outra criança é exactamente a gravidez, os medos que ela me acarreta, as angústias, o querer ter a certeza que está tudo bem e não poder ter sempre essa certeza, o não puder viver nove meses ligada a um ecógrafo, o não saber quando é que nasce. Por mim, o parto é com hora marcada, anestesista, obstetra, enfermeira e pediatra. Poucos mimos, poucas dores e muita acção. Já tive bebés sem epidural, com epidural, sem hora marcada, com hora marcada, com episiotomia e sem episiotomia. Conclusão? Nenhuma. Uns custaram mais do que outros mas ao fim de trinta segundos de ter parido estava pronta para outra. Não trocava uma epidural por nada, nadinha mesmo. Assim como não trocava uma gestação de 36 semanas e uma bebé tão pequenina que não precisei de um único ponto e que nasceu em meia hora sem qualquer tipo e anestesia, por nada deste mundo. Nadinha.
Um dia veio parar-me às mãos um artigo sobre doulas. Li tudo, pesquisei, tornei-me visitante do blogue, acreditei na "humanização do parto" porque para mim, sempre foi muito importante ter comigo alguém que me acompanhasse. De preferência, o meu marido, o melhor conhecedor de mim e do meu corpo, dos meus medos, das minhas angústias e o único que aceita sem reservas um
- Aiiiii que esta merda dói comó caraças e a culpa é toda tua seu grande filho da mãe...
Tenho a certeza que o trabalho destas mulheres é extraordinário mas comigo dificilmente resultaria.
(mais informações em http://doulasdeportugal.blogspot.com/)
6 Comments:
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Eu adorei estar grávida, por acaso gostei mesmo, tive uma gravidez santa, palavra de honra. E depois tive uma cesariana. Sei lá se gostaria que o parto fosse de outra maneira, esta foi a única que vivi.
Agora julgamentos supremos, vou ali e já venho. Também pertenci à lista e saí precisamente pelos fundamentalismos e lirismo a mais. Eu acredito na humanização do parto. Mas não assim :)
Eu apanhei um susto a ler este post: primeiro pensei que tinhas fechado a loja, melher! Depois é que percebi a que grupo te referias que te tinhas retirado.
Quanto à minha gravidez, foi assim, podia ter sido assado, não me lembro de nada de especial senão estar feliz, com os pés cinco números acima e sem tornozelos. Ninguém se lembra de mim grávida, só se lembram dos pés de elefanta. :DD
A malta nasce, seja lá como for...:)
:) Rita, Rita Rita... QUE BOM TER-TE DE VOLTA MULHER!!! :) Que bom... carago! ;)
Quanto à gravidez, eu gostei, muito mas, hoje que me lembro, parece que andei quase sempre anestesiada e meia 'c'os copos'! A risota foi uma constante. As hormonas têm destas coisas parvas! Que é que eu hei de fazer? ;)
Beijocas
*** Ciranda
É assim mesmo! Como não há pessoas iguais, também não podem haver reacções iguais. Só há que respeitar opiniões diferentes.
eu compreendo-te.
ao contrário daquilo que eu desejava fiz uma cesariana (o que me frustrou muito) e, hoje, tenho assim quase quase a certeza que se tivesse esperado até ao fim do tempo, pelos primeiros sinais naturais e se não se tivesse decidido pela indução, acho (nunca saberei) que poderia ter nascido por parto normal...
é neste aspecto que acho que as doulas têm muita razão - nos "preliminares" do parto...
no parto propriamente dito, não consigo conceber não ter senhores doutores, senhores enfermeiros, analgésicos e anestesias à minha volta...
talvez seja uma questão de mentalidade - como diz a sónia, esta nossa perspectiva deve ser chocante para os holandeses...
(quanto à gravidez - na primeira estive sempre muito feliz e encantada, menos na parte final, queria que tudo acabasse depressa. nesta segunda gravidez ando bastante bem, mas o encantamento já não é o que era ;)... )
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