vou à igreja,
convocada para uma reunião de pais. à partida, estas coisas da catequese ficam para o pai das minahs filhas mas, nessa semana, já lhe tinham calhado duas idas nocturnas ao infantário (onde se começa a preparar a festa de fim de ano).
num serão de sexta-feira, eu vou.
o salão paroquial está cheio de pais e mães, algumas crianças, as catequistas e um padre. não há pontualidade, não há originalidade, não há nada. que igreja é esta em que tento integrar as minhas filhas?
uma leitura bíblica, uma quase-homília, a benção, os disparates do costume, os malefício da televisão e "as continhas!" "se não querem ter mais meninos façam as continhas"
eu ainda penso - quais continhas? ao dinheiro? depois aterro e só me apetece dizer - perdoai-lhe senhor que ele não sabe o que diz. depois, olho para o padre gordo e só me lembro do padre amaro; imagino-lhe a castidade, as "continhas" e afins. serei castigada, penso. estou tão longe desta igreja e queria estar mais perto. faz-me falta a espiritualidade, a luz, o caminho. mas não a tenho encontrado nem aqui nem em nenhum outro lado. é pena. perde-se esta ovelha mas talvez cá fiquem as mais pequenas, as que eu quis baptizar, para lhes dar à vida uma certa dimensão não humana.
para o ano entra a do meio para a catequese. imagino-a a pregar no púlpito a sua origem - eu sou a irmã de jesus. eu vi-o nascer. eu quero, eu posso e eu mando porque eu é que sou a filha de maria e josé.
é isto que a garota zen nos apregoa em casa. conseguirá superar o encontro com a outra versão dos factos? ao menos, que os conteste.
4 Comments:
A espiritualidade, a luz e o caminho estão no nosso interior e não no exterior... pelo menos é assim que eu penso. Se ficarmos à espera que alguém ou alguma entidade nos venha mostrar a luz, então bem podemos morrer cegos! E logo uma entidade tão complexa e obscura como a igreja católica! Talvez a tua filha zen encontre a paz e a tranquilidade mais facilmente que o resto... se ela se achar diferente, isso já é meio caminho andado!
Beijos grandes, Tulipa Branca
O pior é ir à missinha todos os domingos pela mesma razão que os pusemos na catequese: a descoberta da espiritualidade, da verdadeira mensagem cristã do amor ao próximo, do amor sem limites, do sermos especiais porque Deus nos ama incondicionalmente e depois levamos com aqueles padres mal-amados, que nos atiram com o pecado, as obrigações e as continhas... E aí perguntamos: é esta a Igreja que queremos para eles?
Bárbara
perguntas sem reposta?
Adoro que lhes chames garotas, à boa maneira nortenha. Melhor mesmo só canalha! ;)
Não sei se vais ver este comentário, mas se vires no mail e para te localizares, é do teu post sobre a reunião de pais na igreja, de Maio. (Da igreja e da fé não falamos aqui, tá, senão dá um testamento. Guardamos para o mail.)
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