DO OUTRO LADO

22.7.05

Uma café com a minha irmã

Não faço a mínima ideia do número de miltares que existem neste país mas devem ser muitos.
Também não faço bem ideia das actividades a que se dedicam. Para lá do habitual coçar da pilinha e dos piropos às meninas que passam, pouco mais me apraz dizer acerca do que que se faz nos quartéis. Ah! Limpam-se as armas, esses símbolos da mais feroz virilidade, muscula-se o corpo e gastam-se pipas de euros com a gasolina ou o gasóleo ou outra merda qualquer com que se atestam os depósitos dos aviões que, se não voarem todos os dias, enferrujam...

É lindo, muito lindo, que se defenda o que é o nosso, que não se deixe o inimigo avançar, que se cante o hino e se jure fidelidade à bandeira. É pena é que a esses milhares de rapazes e raparigas não lhes ensinem que nosso, mesmo nosso, é o património, a história, a paisagem. E é pena que não os ponham a defender o que é realmente nosso... Ponham-nos a limpar as matas, a apagar os fogos, a vigiar a floresta, a restaurar monumentos. O mal nem é deles, coitados. Acredito que nos tempos que correm, grande parte dos que se voluntariam para essa vida de caserna o façam por não se lhes apresentar outra alternativa capaz e viável de ganha-pão.

O mal é de quem lá manda e que, sem visão nem missão, ainda não percebeu que a pátria é mais do que um rectâgulo de terra e que a defesa não se faz só a tiros de espingarda.